O Sol não nasce para todos

11 setembro 2016

Hoje eu estava ajudando uma colega a fazer um trabalho da faculdade. Eu gosto de aprender tanto quanto gosto de ensinar e me sinto bem ajudando pessoas queridas.

Em certa altura do trabalho, me deparei com alguns questionamentos levantados sobre a violência, a pobreza, a criminalidade e a democracia. Encontrei no texto críticas a algumas frases muito batidas na sociedade como “É ladrão porque quer”, “A prisão é um lugar bom, senão os bandidos não iam querer voltar” ou “O sol nasce para todos”. E que atire a primeira pedra quem nunca falou pelo menos uma dessas frases.

Enfim, fui lendo, matutando aqui comigo… é bastante complicado abordar tais temas, principalmente com pessoas que nunca viveram tais contextos. E como eu vivo nesse contexto, resolvi dar a minha opinião.

As pessoas são diferentes entre si. Existem muitas pessoas no mundo do crime que optaram por essa vida por ela representar dinheiro fácil. Existem também pessoas que simplesmente não tiveram outra opção. Conheço pessoas que usam drogas, mas que gostariam de não usar, porém não tem nenhuma forma de lutar contra isso. Conheço pessoas que usam drogas e acham ótimo, lindão mesmo e até gostam de se gabar de fazê-lo. O que quero deixar claro é que não dá para generalizar nada nesse mundo.

Queridos ser humano, enfie em sua cabeça que a realidade em que você vive não é a única que existe no mundo e que nem todas as pessoas do mundo têm acesso as mesmas informações que você tem, as mesmas oportunidades que você tem. Daí vem um ser e diz para mim “Ah, mas você mora em bairro pobre, é pobre e está fazendo faculdade”. Ótimo para mim, mas adivinhe só: eu sou exceção. Apesar do contexto violento em que vivi, tenho pais legais, que sempre valorizaram os estudos, que sempre trabalharam honestamente, que sempre condenaram atitudes erradas. E, só para ressaltar, não estou querendo dizer que todas as pessoas que cometem crimes tem pais escrotos. Mas algumas vezes, eles têm, sim. Outra coisa que influencia as atitudes das pessoas é a subjetividade. Eu poderia continuar enumerando N causas para a existência da criminalidade, contudo, é um tema muito longo. Assistam uns documentários aí, leiam uns artigos, tipo “A pobreza como fenômeno multidimensional” ou “Notícias de uma guerra particular”.

Por fim gostaria de ressaltar que não, o Sol não nasce para todos. A menos que você queira dizer que aquela estrela que o nosso planeta gira em torno surge toda manhã no horizonte para quem quiser apreciá-lo. Agora, se você quer dizer que todos temos oportunidades iguais, escolhas iguais, então é um grande e sonoro não. Algumas pessoas tem que se esforçar muito mais para conseguir os mesmos resultados. Eu adoraria acordar amanhã cedo, pegar o livro “A Literatura Portuguesa”, do Massaud e dar uma boa lida para me preparar para a prova de terça-feira. Mas ao invés disso, vou dar uma folheada assim que terminar de escrever esse post, porque amanhã trabalho o dia todo, depois é faculdade, e depois é casa.

Então, se você pode acordar amanhã cedo e ler o Massaud, eu e você não temos as mesmas oportunidades. 

;-D

E viva a democracia no Brasil! 



Lady Thaw
É uma sonhadora, amante de livros e literata. Adora cantar, dançar, ler e conversar. Um dia terá um gato preto chamado Plutão.
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