A Espada do Verão [Magnus Chase e os Deuses de Asgard #1] | Crítica do Livro

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  Título (original): The Sword of Summer [Magnus Chase and the Gods of Asgard]
  Autor: Rick Riordan
  Editora: Intrínseca. 
  Páginas: 448
 Tradução: Regiane Winarski

Sinopse: Às vezes é necessário morrer para começar uma nova vida...

A vida de Magnus Chase nunca foi fácil. Desde a morte da mãe em um acidente misterioso de policiais e assistentes sociais. Até que um dia ele reencontra tio Randolph - um homem que ele mal conhece e de quem a mãe o mandara manter distância. Randolph é perigoso, mas revela um segredo improvável: Magnus é filho de um deus nórdico.

As lendas vikings são reais. Os deuses de Asgard estão se preparando para a guerra. Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo Magnus deve ir em uma importante jornada até encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. A espada do verão é o primeiro livro de Magnus Chase e os deuses de Asgard, a nova trilogia de Rick Riordan, agora sobre mitologia nórdica.



  Rick Riordan já foi chamado de Rei Midas por transformar em ouro tudo que toca – ou mais literalmente, pegar emprestado famosas mitologias e transformar em fantásticas fantasias juvenis. Depois do mundo Greco-romano e egípcio, ele embarcou na Mitologia Nórdica, bastante explorada nos últimos tempos em várias mídias. Na época do anúncio quando ele revelou que escreveria uma série nórdica, fiquei muito – muito – animada. A cada notícia ficava mais ansiosa e quase desejei que “Heróis do Olimpo” (sua última série) fosse logo encerrada para a nova saga ser posta no papel. Depois de tempos eu já me esquecia desse projeto, e de repente o lançamento foi comentado em todo o lugar, acordando os fãs de longa data.

 Nos últimos meses li sobre Mitologia Nórdica, e não esperava nada menos que grandioso. Claro, minha eu de doze anos lendo “O Ladrão de Raios” ficou bem mais deslumbrada do que meu eu de agora lendo “Magnus Chase”, porém é inegável que o livro fisgou de verdade – poxa, foram 448 páginas em três dias. My eyes still hurt.

 Muito bem, vamos ao que interessa? Aqui conhecemos Magnus Chase por essa vocês não esperavam, hein, um jovem de 16 anos que vive nas ruas há dois anos, desde que sua mãe foi assassinada por lobos de olhos brilhantes. Sobrevive de restos e roubos, junto de seus amigos mendigos Blitz e Hearth. Mas as coisas se complicam quando descobre que dois de seus parentes estão a sua procura;

(Irei abrir um parênteses para quem não conheceu as outras obras do Rick. Um dos parentes que vai procurá-lo é sua prima Annabeth Chase e o pai dela. Annabeth é uma semideusa grega, filha de Athena, extremamente importante nas duas sagas que antecedem essa)

Desconfiado, invade a casa de seu tio Randolph – o tio que sua mãe o proibira de procurar e que também está atrás dele – é quando reencontra seu tio que sua vida desanda, pois segundo o próprio, Magnus é filho de um deus nórdico e mais, destinado a encontrar a Espada do Verão, arma que será a causa da futura morte de seu pai no Ragnarok, o Fim dos Mundos no universo nórdico.

Depois de uma batalha tumultuada com o deus Surt, senhor do fogo – numa ponte com centenas de civis desesperados – Magnus não resiste e morre. (não é spoliler, fiquem tranquilos). Então, a história realmente começa. Seu espírito vai para o Hotel Valhala, dimensão que recebe os honrados que morreram em batalha, e que estão destinados a lutarem no Fim dos Tempos em nome de Odin. Estes são chamados Einherjar. O Hotel é infinito, com incontáveis andares armazenando pessoas de todas as épocas. Magnus enfrenta essa nova realidade, enquanto perigos o aguardam.

Como de costume, resumir um livro de Rick Riordan é difícil, pois coisas acontecem o tempo todo, batalhas e aventuras fazem as cenas correrem rapidamente. O livro é em primeira pessoa, com Magnus contando a própria história. O curioso é que a voz narrativa embora mais juvenil, se assemelha muito a de Percy Jackson. Temos piadas fora de hora, temos sarcasmo, temos observações meio bobinhas. Magnus é bem mais esperto que Percy, e mais irritado, desconfiado. Porém, para quem já acompanhou a saga do filho de Poseidon, é complicado ver Chase como um personagem novinho em folha.

O afastamento materno, a descoberta da origem fantástica de amigos que aparentemente eram humanos, um lugar irreal; elementos utilizados aqui, assim como em tantos romances. Mas Rick consegue utilizar a Mitologia Nórdica a seu favor, construindo cenários maravilhosos e realidades inimagináveis, brincando com os Nove Reinos e suas variadas raças. Com todo esse universo, a maioria dos personagens não foram tão bem explorados; há um capricho mesmo nos personagens Blitz (um anão que parece um humano) que tem um obsessivo cuidado com o estilo e Hearthstone (um Elfo) que sonha em aprender a dominar a Magia das Runas. Hearth é surdo, o que é tratado com normalidade por seus amigos; é interessante como Rick trata com carinho essa minoria aqui, pois a surdez é só uma característica física dele, não um resumo do que ele é. O Elfo não é apenas o “surdo” do grupo. Pessoalmente, um dos melhores personagens do livro. A amizade dele com Blitz é muito bonita. Não posso dizer muita coisa, mas a famigerada Espada também é amazing  ótima.   

   De destaque, temos também a Sam, uma Valquíria (as Valquírias escolhem os heróis que vão para Valhala depois da morte para lutar em nome de Odin). Ela tem uma vida dupla; vive como uma mortal e trabalha para Odin, além de ser muçulmana. Gosto muito de personagens de outras culturas, mas o modo como foi tratado... Senti superficialidade. Ela só anda com o hijab e está prometida em casamento. O casamento é forçado pelas famílias, mas espere! Não tem problema, ela é apaixonada pelo cara desde a infância. É conveniente demais. Poderia ter tido discussões a respeito disso. Ela deveria ter questionamentos sobre querer ser uma “boa muçulmana” e trabalhar para deuses nórdicos ao mesmo tempo. Ficou esquisito.

 E em vários momentos a dinâmica dela e de Magnus Chase é muito parecida com a de Percy e Annabeth. Basicamente Sam o olhando com raiva por ele ter dito algo idiota, incontáveis vezes. Espero que ela seja melhor trabalhada nos próximos livros, além da garota nervosinha que odeia ser filha de certo deus.

 Como estamos falando de um livro do Rick, é obvio que o humor não podia faltar. O humor juvenil –ou até infantil – e sarcasmo preenchem todas as páginas. Depois que terminei a leitura, senti que havia acabado de ler um livro de comédia. E como Magnus tem dezesseis anos – e eu já gostava do estilo sacana do autor – as risadas vieram fáceis. O problema é que as piadas e bizarrices típicas do autor são tão frequentes, tão frequentes no livro todo, que o possível drama se perde. Até em o Ladrão de Raios (primeiro livro nesse estilo do autor) o drama foi melhor trabalhado. Salva-se pouquíssimas cenas em que sentimos aflição. Não temos medo dos vilões, não nos importamos se os “deuses heróicos” não querem ajudar porque literalmente “tem coisa melhor pra fazer” pediram ajuda para salvar o mundo. Resumindo, é difícil levar alguma coisa a sério.

Outra observação é a respeito da violência. Não temos o autor tentando esconder como na época de sua obra olimpiana – onde os monstros se desfaziam em pó com as armas. Aqui, estamos falando de heróis nórdicos que morreram e agora treinam por centenas de anos a fio para batalhar no Apocalipse Viking (Ragnarok). Esperem algo acima de meros Pegue a Bandeira do Acampamento Meio-Sangue ou dos jogos de guerra do Acampamento Júpiter. Vi que o autor não colocou Magnus com dezesseis anos a toa, pois sem dúvida, o público alvo é mais velho do que os pré-adolescentes que liam sobre Percy.

 Me apaixonei pelo livro – a leitura mais divertida e engraçada do ano. Isso é uma questão pessoal, e sei que o fato de eu já ser fã do autor há muito tempo e ter entendido as referencias a outras obras ajudou. 

Para novos leitores riordianos, o universo irá maravilhar a imaginação, e os personagens irão arrancar risadas. Para os de longa viagem, elementos que já conhecemos não danifica o andar da história; a retratação da mitologia nórdica, seus mundos e raças pegam nossa atenção, nos deixando admirados. O final decai um pouco, quase previsível e chegando a ser anti-climático em alguns momentos. Porém, a obra ao todo cumpre como uma boa introdução da trilogia.

O próximo livro se chamará The Hammer of Thor (O Martelo de Thor). E claro, nós meros mortais esperaremos um ano para o próximo livro. 

“Estou uma temporada atrasado em Sherlock, isso está me matando!” Thor.
“Uma caneta que vira espada. É a coisa mais idiota que já ouvi”

•Admito que quase virei para o Lado Negro da Força quando Loki apareceu com  a camiseta do filme “O Iluminado” com a cena do Jack gritando, nesse caso “Where’s Loki!?”
Magnus pode viver na rua, mas ele assiste Doctor Who mesmo assim. E enxerga Daleks em pontes.


Vejam os Nove Mundos (Reinos):

·         Ásgarðr (Asgard)- O mundo dos Deuses e protetor dos nove reinos.
·         Miðgarðr (Midgard)- O mundo dos Humanos
·         Jötunheimr (Jotunheim)- O mundo dos Gigantes de Gelo
·         Vanaheimr (Vanaheim)- O mundo dos Vanir
·         Álflheimr (Alfheim)- O mundo dos Elfos da Luz
·         Muspellheimr (Musphelhein)- O mundo do Fogo
·         Helheim (Hel) – O mundo de Hel e dos mortos desonrados
·         Nidavellir (Nidavellir)- O mundo dos Anões
·         Niflheim (Niflheim)- O mundo primordial do Gelo e ali também Helheim (Hel)- O mundo dos Mortos







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