Loki: Agente de Asgard | HQ

23 agosto 2015

Autor (História): Al Ewng
Arte: Lee Garbet
Volumes: em andamento


Sinopse: Essa é a estória de Loki. Adotado no campo de batalha por Odin, Rei de Asgard, Loki era o irmão adotivo de Thor. Eles nem sempre se davam bem. De certa forma, isso era porque Loki se envolveu em intrigas cada vez mais cruéis ao longo dos séculos, até que eventualmente ele ficou conhecido como o deus do mal. E ele ficou preso nessa definição - se afundando cada vez mais em infâmia com cada nova travessura, incapaz de escapar de seu papel, incapaz de escapar dele mesmo. condenado a nunca ser nada além de Loki - Loki o filho mal, Loki o vilão - até o dia em que morresse. Então... ele morreu. O que, é claro, foi o maior esquema de todos. Pois logo ele renasceu em um novo e jovem corpo, livre para escolher seu próprio destino. Com a espada do primeiro herói de Asgard na sua mão e missões da mãe de todos, o triunvirato governante de Asgardia, para ajudar a polir sua nova reputação brilhante.

Quando comecei a faculdade de Letras, decidi expandir minhas leituras para além dos Romances, procurando contos, crônicas e não-ficção. Comecei dar uma investida também nas Histórias em Quadrinhos, sejam as orientais ou ocidentais. Sempre tive vários amigos que curtiam animes/mangás, por isso foi fácil começar a ler. Mas e HQs? É uma infinidade de títulos, reboots, arcos, sagas, muito complicado. Depois de pesquisas – e mais pesquisas – Podcasts sobre o assunto e coragem, li minha primeira Hq (que não é da Turma da Monica ou semelhantes pelo menos).
 Assim como a maioria gosto bastante do personagem Loki do Universo Cinematográfico da Marvel – apesar de contestar os filmes num todo – desse jeito, foi natural caçar uma história com ele. Acabei esbarrando numa publicação de 2014, novinha em folha, sobre ele. Algumas pessoas pegam números aleatórios e seguem, mas eu não consigo fazer isso. Por isso me animei com a história que desde a sinopse, dava a confortável impressão de uma história fechada – que não exigia nenhum conhecimento prévio.  Certo?
 Errado! Mas um pouquinho certo também...
 Somos apresentados à história de Loki, não ao Loki original, deus da trapaça e mentiras, ao Trickster que toda a Asgard aprendeu a odiar, mas a um novo e diferente Loki. É que com toda sua fama de crueldade e trevas, ele não conseguiu mais sair do caminho do mau, sempre se aprofundando nele mais e mais. A “pressão” dele ser sempre o vilão, o Mau, nunca o deixaria em paz, o perseguindo até a morte. É claro, ele morre. E renasce noutro corpo, jovem e belo – e com as mesmas memórias - pronto pra deixar para trás a vilania que lhe era imposta. Armado com a espada da verdade, ele precisa fazer trabalhos para o Triunvirato de Asgard, o governo, para limpar crimes de sua vida passada.






 Com suas relações com Thor mais ou menos consertadas nessa nova vida, e limpando cada vez mais sua “ficha” criminal em seu planeta, as coisas deveriam ficar bem. Mas há algo errado nos trabalhos que o Triunvirato lhe pede. Derrotar fugitivos de Asgard e trazê-los como prisioneiros sem razão aparente deixa Loki desconfiado – afinal de contas, tecnicamente ele também é um fugitivo.    
 E aí que ele descobre a existência de um outro Loki, um Loki ruim, mau, que desde o primeiro capítulo apareceu conspirando com o Triunvirato. A verdade por detrás do Loki mau é terrível, uma sombra que permanece até o fim – e além – da HQ. No meio tempo entre traições, falsas máscaras e manipulações, Loki tenta ser uma pessoa melhor. Mas como fazer isso quando tudo mostra que o caminho das trevas é inevitável?
 Vivendo na Terra – chamada Midgard pelos Asgadians – ele conhece outros personagens. Verity Willis, uma ruiva esperta se torna sua primeira e única amiga (BFF, segundo a própria história). Ironicamente ela tem um poder no mínimo curioso, o talento de ver através de mentiras, podendo até enxergar através de ilusões. É interessante ver o antigo deus das mentiras tornar-se amigo de alguém para quem nunca conseguirá mentir. 
 O primeiro capítulo foi fantástico, muito bem feito. Loki – com um ar de Tom Hiddleston – subindo correndo a lateral da Torre Stark, num monólogo  sobre magia foi o melhor. Os Vingadores estavam na Torre matando o tempo, (todos aparentemente inspirados nos atores também). Foi impagável Loki dizendo que agora tinha um coração de ouro, para logo depois atravessar uma espada em Thor. Essa cena é a primeira página da HQ. Não havia cena melhor com que começar.




 Uma ressalva que eu faço, é o tamanho dos volumes. Não mais do que 25 páginas. Não sou entendida no mundo dos quadrinhos, mas as páginas são poucas, considerando que cada volume tecnicamente tem sua própria história. É inegável que a escrita tem que correr para conseguir chegar à última página completa, bonitinha. E o fato do tom da história ser divertido deixa a HQ ainda mais rápida de ser lida. Poucas páginas não é ruim, porém é obvio que várias coisas na história seriam melhor exploradas se tivessem tido espaço. Um exemplo é o próprio Loki.
 Ele tem um bom desenvolvimento aqui, mas em nenhum momento nós sabemos como ele parou lá, como morreu pra que pudesse renascer. Foi assassinato? Suicídio? Sabia que iria renascer? Outra coisa é a inserção de elementos de outras HQs, no meio da história. Na verdade, quatro volumes (entre os treze) pertencem à Mega Saga do Eixo*, que seria um Arco Narrativo envolvendo todas as publicações da Marvel em 2014, começando com o volume #6 de Loki: Agente de Asgard e continuando com outros volumes de outras publicações.





É um pouquinho complicado para os não acostumados, e não ajuda em nada o roteirista nos tratar como se fossemos ler os volumes do Eixo em outras HQs pra entender o que está acontecendo. Fazer Mega Sagas é comum para a Marvel (e para a DC), mas é algo frustrante para os novatos. Não é tão complicado quanto algumas sagas da DC, mas um aumento no número de páginas nos ajudaria a entender mais, sem recorrer a pesquisas no Google.
 Sem contar que coisas acontecem entre alguns volumes, e só somos informados na introdução deles. E em muitos – muitos – cenas há mensagens nos dizendo qual HQ e qual volume da mesma temos que ler para entendermos algo, seja um acontecimento ou fala de alguém. É como um personagem chegar pra outro e comentar sobre a coisa terrível que fulano fez, e ao invés de explicarem para o leitor quem e o que fez fulano, colocam um quadradinho nos dizendo pra ler o volume X da HQ do fulano. E se você for procurar a HQ, nela certamente terá algo que não entendemos, nos dizendo pra procurar a HQ do beltrano.
 Sério. Grandes Editoras, só parem. Aprendam com os volumes fechados dos mangás. Ás vezes, nós só queremos ler a história de um personagem, sem vontade de ler trocentas histórias sobre outras coisas. Fiquei confusa em várias partes, mas segui. Entendo que os fãs de longa data já estão acostumados com isso, mas como angariar novos fãs desse jeito? Vendo por esse lado, é compreensível que os mangás são mais lidos por aqui do que nossos quadrinhos ocidentais,  considerando as pessoas que conheço. 
 É claro, se você não liga em perder coisinhas e referências, pode ler Agente de Asgard tranquilamente. Se não tiver paciência... Tente. Loki em si – qualquer um deles – já é uma ótima razão para ler até o final. Seja o Doutor Destino encurralando Loki ou Loki virando um herói de coração puro lutando contra o Mau (por causa de uma maldição, é claro). Adorei a maioria dos capítulos, e amei muitas cenas, desde Loki olhando-se no espelho depois de descobrir a verdade terrível sobre si mesmo à divertida batalha contra vilões de circo. É o tipo de história que daria uma ótima série de TV com várias temporadas, até que vire enrolação.
 Enfim, recomendo principalmente para os fãs de Loki que querem ver algo além do Universo Cinematográfico da Marvel – esse foi meu caso – e se parecer confuso, só sigam a leitura. Em todos os começos de capítulos, há um resuminho do capítulo anterior, assim como mínimas informações a mais, que aconteceram em outras HQs e que tocam na trama da história. Não é muito, mas pelo menos não deixa completamente perdidos.
 Ah, e tudo isso se refere ao volume #1 até #13. Os treze primeiros são um arco único (começo-meio-fim, com direito à Epílogo). Depois a HQ segue adiante (14, 15,16...) dando início à outra Mega Saga, chamada Guerras Secretas. Dei uma espiada e gostei bastante e terei de acompanhar, mesmo sabendo que na minha lista há Guerra Civil e Sandman (deve ser uma traquinagem de Loki, só pode). Muito bem, enquanto a poeira asgardiana baixa, vou voltar aos mangás. E depois à Asgard de novo! 





Alana Campanha
Há milênios perdida nesta Terra, sobrevive de histórias feitas por seus habitantes. Ama escrever, criar tramas surreais e se aventurar pela literatura. Apaixonada por Doctor Who, sonha em viajar por esse mundo um dia desses.
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