O Alquimista | Crítica do Livro

11:13


Título: O Alquimista
Autor: Paulo Coelho
Páginas: 176
Editora: Rocco

O Alquimista - O jovem pastor Santiago tem um sonho que se repete. O sonho fala de um tesouro oculto, guardado perto das Pirâmides do Egito. Decidido a seguir seu sonho, o rapaz se depara com os grandes mistérios que acompanham a raça humana desde a sua criação; o Amor, os sinais de Deus, o sonho que cada um de nós precisa seguir na vida.
A peregrinação de Santiago, narrada pelo escritor Paulo Coelho em O alquimista transformou-se num dos maiores fenômenos literários. Caminhando em uma caravana pelo deserto do Saara, ele entra em contato com pessoas e presságios que lhe indicam o caminho a seguir. Entre eles, um misterioso personagem - um Alquimista. 
É quem irá ensiná-lo a penetrar na Alma do Mundo, e a receber todas as pistas necessárias para chegar até o tesouro.





 Há muito que eu ouço falarem de Paulo Coelho e seus livros questionáveis. Que Paulo Coelho é isso, que Paulo Coelho é aquilo; então, quando vi o tal livro O Alquimista com o justificado autor, não tardei e peguei da biblioteca da faculdade. Dia seguinte já estava no meio da história. Tentei me abster de todos os comentários e críticas negativas a respeito do autor enquanto lia a obra, mas a cada página que virava, a cada frase, admito eu, percebia que muitos dos falatórios tinham um fundo de verdade. A luta foi tentar permanecer neutra durante a leitura – e terminá-la.
 A história é muito simples. Um jovem pastor de ovelhas – detenha-se nesse jovem, é a única forma que o narrador vai chamá-lo – tem sonhos estranhos sobre um tesouro oculto nas pirâmides. Curioso e temeroso em deixar ou não sua vida como conhece, acaba por decidindo partir, tentando seguir sua Lenda Pessoal – espécie de destino que devia ser traçado por cada um de nós – passando assim pelos Sinais de Deus, chegando ao ponto de conhecer a Alma do Mundo. Esses conceitos de alquimia permeiam a obra ao mesmo tempo em que não são muito bem explorados. As explicações se dão por diálogos totalmente didáticos, assim, as informações vêm e são esquecidas linhas depois. Não é válido você ler um livro sobre algum assunto e logo depois, descobre que não aprendeu quase nada. Se alguém me perguntar o que raios é alquimia, eu não sei o que dizer. Talvez saberei quando assistir Fullmetal Alchemist.
 Reforço que Paulo Coelho entende, pelo menos teoricamente, da alquimia. Ele poderia ter desenvolvido um bom romance, com uma profunda jornada existencial com personagens tocantes. Poderia ter-nos feito mergulhar nos mistérios da alquimia. Mas não. O que vemos é o pastor de ovelhas buscando um tesouro. Que acredita em estranhos. Que se apaixona por estranhas. Que “aprende” coisas com o tal alquimista. O autor deve ter achado que o simples fato de chamá-lo de alquimista e ter dado o nome dele como título da obra, deveria ter dado personalidade a ele. Ah... Não. O Alquimista é extremamente vazio. 
 Os capítulos são curtos, duas, três páginas, ás vezes um ou dois parágrafos. Isso torna a leitura mais veloz, juntamente com a escrita facilitada e simples. Escritas simples não me incomodam, mas o jeito do autor... Parecia bobo. A impressão é que ele escreveu uma lenda que na verdade, era para ser oral, e só. O problema é que muitos livros que poderiam ser lendas orais, são bons. O Pequeno Príncipe também fala de jornadas e é facilmente uma lenda contada. E é bom.
 Erros de português fazem a festa; o próprio autor proibiu a correção deles. Os personagens... Bem, são só isso: personagens. Cumprem seu papel de ser impressos e ocupar algum espaço nos cenários do livro, nada além disso. O que mais me chamou a atenção foi o vendedor de cristais. Achei os capítulos com ele os melhores. O vendedor é muçulmano e seu sonho é ir para Meca. Mas ao mesmo tempo ele não quer ir, pois se fosse, não teria mais nenhum motivo para sonhar, e sua vida acabaria perdendo o sentido. Essa foi de longe, a melhor passagem do livro todo. Depois que acabei o livro, pensei que pelo menos, ela existia. Porém, entra a questão: um parágrafo vale o resto do livro?
 Isso vai de cada um. Assim como o gosto vai de cada um. Alguns apreciam o teor de auto-ajuda de Paulo Coelhos, outros detestam. Ele tenta ensinar lições de vida, tenta passar lições de moral, a todo o momento, até o fim do livro. Mas são todas os ensinamentos que já sabemos, que estamos cansados de saber e que, se não for nos passado de uma forma original, não nos servirão de nada. Comparar ovelhas com pessoas que não buscam seus sonhos, pode ter sido legalzinho no começo, mas depois de repetir pela centésima vez a comparação, ela caiu na chatice.
 Não vou fazer uma opinião do que acho de Paulo Coelho, precisaria ler mais livros dele e não sei quando farei isso. Talvez pegarei O Diário de um Mago pra decidir se continuo com o autor ou desisto. Existem pessoas que amam o escritor, e eu entendo. É bom ler livros simples e diferentes ás vezes. E o autor é inegavelmente o brasileiro mais vendido lá fora com os erros gramaticais devidamente corrigidos nas traduções. Porém, eu, tenho os seguintes pensamentos: Se a escrita não é tão espetacular, os personagens devem ser bons; se os personagens não são bons e nem a escrita, então o enredo tem que ser muito bom. Assim, se personagens unidimensionais existem numa escrita propositalmente muito simples, num enredo absurdamente sem nada demais, então, o resultado é só uma historieta que apesar de querer mudar sua vida, é deixada de lado depois do término, com zero reflexão.
  Talvez esse não tenha sido o melhor livro do autor, por isso não vou desistir. Tentei ao máximo ser neutra durante a leitura, juro, mas depois da metade, soube que não ia melhorar. As pessoas dizem que é moda criticar – negativamente – Paulo Coelho. Não é ele, são os livros. Neste caso, um livro. Espero que continue vendendo e espalhando a nossa literatura, mas que outros autores também sejam opções lá fora. Todo mundo ganha.

"É justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante." (p.-)
  


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2 comentários

  1. Acabei de ler o livro e vim parar aqui, e concordo com tudo que disse,
    Foi a primeira obra do Paulo coelho que vejo, e na boa, me decepciono bastante, estava realmente empolgado, com todo o universo da alquimia, (assisti Fullmetal Alchemist)
    porém a obra não explora esse universo, alias a obra não explora nada, tudo é muito resumido, o que chega a ser tosco...
    Ridículo a forma como o romance é tratado como uma "coisa incrível" ou um "amor intenso e um fardo ao protagonista" sendo que foi literalmente o cara chegar olhar pra uma estranha e dizer "eu te amo" não houve desenvolvimento algum,
    Enfim, a obra tem seus pontos positivos, são poucos, mas tem, alguma vezes me peguei refletindo em certas frases, mas não é algo marcante, que "salve a obra'
    De qualquer forma, foi ótimo ler sua critica, e curti muito o blog,
    Não mais é isso,
    Take a Care.

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    Respostas
    1. Olá! Tenho passado esses meses longe do blog, mas ao que tudo indica, estou voltando. O Alquimista é mesmo cheio de problemas, e nem as frases bonitas que você pode encontrar fazem-no valer a pena, mas paciência. Ainda nem peguei outro livro do Paulo Coelho para ler por ter receio, mas quem sabe?
      Obrigada por passar por aqui e desculpe pela demora!
      Abraço e até!

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